segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Primeiro Relatório do Grupo de Estudos Sophia

Parmênides de Eleia  e sua concepção Monista do "ser"
Filosofia Pré-Socrática / Cosmológica 
Encontro do dia 11/09/13

Segundo as discussões do último encontro do Grupo de Estudos Sophia (Σοφία), temos como característica dos filósofos cosmológicos, a passagem gradual das concepções míticas (Cosmogônicas) à explicação sobre a natureza por ela mesma. Dentre estes filósofos, podemos observar abordagens tipicamente naturalistas (Tales de Mileto, Anaximando de Mileto e Anaxímenes de Mileto) e outras mais abstratas conceitualmente, como no caso de Heráclito de Éfeso e Parmênides de Eleia.

Parmênides de Eleia, fundador da Escola Eleática, travou uma luta filosófica com um outro filósofo (ou sua corrente filosófica) mais ou menos contemporâneo a seu tempo - Heráclito de Éfeso. Aquele defendia, através de seu Poema, uma concepção monista (una) da realidade, isto é, uma concepção de unidade ou totalidade do real para além do movimento, o qual fora muito criticado por ele, considerando-o mera característica aparente das coisas.

Parmênides estabelece, assim, a base para se pensar a existência de uma Essência das coisas. Algo imutável, invariável, todo inteiro, cujo conhecimento só a razão poderia alcançar. 

"O ser é , o não-ser não é". Eis a forma simples e célebre que Parmênides estabelece o princípio de identidade, posteriormente abordado pela Metafísica de Aristóteles.

Uma vez que o ser é, logo ele existe. Sendo, assim,  perscrutável e cognoscível pela razão. Ele não pode deixar de ser, o que o tornaria impensável e impossível de conhecê-lo, impossível mesmo de se imaginar, o nada.

As mudanças que, porventura, vierem a ocorrer são apenas aparentes e percebidas pelos nossos sentidos, que nos enganam (representado pelo filósofo como a Opinião, mutável e, por isso, falsa). 

Sendo assim, existe algo de essencial que jamais mudará, jamais deixará de ser. O não-ser, ao contrário do ser, não é. Este jamais poderá vir a ser.

A afirmação "(...) Pois pensar e ser é o mesmo" é intrigante e estabelece que o ato de pensar confere existência à coisa que, porventura, não exista na realidade concreta, demonstrando que só se pode pensar/conhecer aquilo que é - o ser.

A estória contada de maneira metafórica no fragmento de seu poema, nos dá a oportunidade de conhecermos esse fascinante Filósofo, cujas ideias infelizmente não nos puderam chegar na sua totalidade, mas nos dá a indescritível sensação de termos em nós, enquanto essência, a  possibilidade de verdade inteira do mundo. 

Mas como bem sabemos, existe uma outra concepção da realidade. E conforme veremos, através do professor, nos demais encontros, Heráclito se opunha de forma ferrenha à ideia Monista de Parmênides .

E que venha Heráclito e sua teoria Mobilista encalcada no conflito dos contrários.



Renato Alves Pereira da Silva
Aluno do 2º Ano C da E.E. Ver. Elísio de Oliveira Neves