sábado, 7 de junho de 2014

Discurso II



Discurso por ocasião da Atividade interdisciplinar
sobre a Copa do Mundo no Brasil
na E.E. Ver. Elísio de Oliveira Neves
(07/06/14)
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Às portas do início dos jogos da Copa do Mundo, assistimos a uma crescente indignação na população brasileira, que se sente negligenciada em suas necessidades básicas e de direito. Por outro lado, também observamos que as manifestações que vêm ocorrendo, como suposta expressão desta indignação, não têm sido suficientes para provocar mudanças mais sólidas. Talvez seja oportuno nos questionar sobre essa indignação que sentimos e sobre o que pode ser feito para gerar uma transformação social adequada.

            Luc Ferry (filósofo francês contemporâneo) explica que a indignação é um sentimento moral detestável e que deve ser rapidamente superado. Pois, quando nos sentimos indignados é sempre por causa dos outros. Nunca ficamos indignados ou escandalizados por nós mesmos. Isto não passa de um julgamento moralista a respeito das corrupções políticas, das mentiras daqueles que prometeram e não cumpriram, enfim, das injustiças que os outros realizam. Mas, o que nós não entendemos ainda é que quando fazemos este julgamento e afirmamos “estou indignado!”, tomamos como parâmetro nosso próprio modo de ser. Ou seja, nos tomamos como exemplo e modelo no juízo que fazemos das atitudes condenáveis dos outros.